Verdade que cenoura e beterraba têm muito açúcar?

A cenoura e a beterraba têm muito açúcar? Pessoas com diabetes precisam evitar esses vegetais? Entenda o que dizem os dados nutricionais.
Você provavelmente já ouviu que cenoura e beterraba têm muito açúcar e, por isso, deveriam ser evitadas, especialmente por pessoas com diabetes.
Mas essa ideia é enganosa.
Cenoura e beterraba contêm carboidratos e açúcares naturais, porém são vegetais nutritivos e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, inclusive para pessoas com diabetes. A American Diabetes Association classifica ambas como vegetais não amiláceos, grupo que também inclui alimentos como abobrinha, tomate, pimentão, brócolis e folhas verdes.
O que importa não é apenas a quantidade de carboidrato de um alimento isolado, mas a porção, o restante da refeição e o padrão alimentar como um todo.
Cenoura e beterraba têm muito açúcar?
Não.
Elas possuem açúcares naturalmente presentes, mas não são comparáveis, em termos de concentração de carboidratos, a alimentos como açúcar de mesa, doces ou bebidas açucaradas.
Segundo a TBCA, 100 g de beterraba cozida sem óleo e sem sal fornecem cerca de 6,3 g de carboidratos totais e 4,3 g de carboidratos disponíveis, além de aproximadamente 2 g de fibras. Já 100 g de cenoura cozida fornecem cerca de 4,3 g de carboidratos totais, 2,1 g de carboidratos disponíveis e 2,2 g de fibras.
Esses valores ajudam a colocar o assunto em perspectiva: o sabor levemente adocicado desses vegetais não significa que eles tenham uma quantidade elevada de açúcar.
Além disso, açúcar e carboidrato não são sinônimos. Um alimento pode conter carboidratos provenientes de açúcares, amidos e fibras em proporções diferentes.
E as fibras?
Cenoura e beterraba também fornecem fibras alimentares, que fazem parte de uma alimentação saudável.
Porém, não é correto dizer que elas são especialmente ricas em frutooligossacarídeos ou que esse seria o principal motivo para seu consumo. O perfil de fibras de cada vegetal é mais amplo e varia conforme o alimento e o preparo.
De forma geral, aumentar a variedade de verduras e legumes ajuda a fornecer fibras, vitaminas, minerais e diferentes compostos bioativos. A Organização Mundial da Saúde recomenda uma alimentação com ampla variedade de vegetais e frutas.
Pessoas com diabetes podem comer cenoura e beterraba?
Sim.
Ter diabetes não significa precisar excluir todos os alimentos que contêm carboidratos. O planejamento alimentar deve considerar a quantidade e a qualidade dos carboidratos, além da distribuição das refeições e das características individuais.
A própria American Diabetes Association inclui cenoura e beterraba entre os vegetais não amiláceos.
Portanto, em vez de excluir esses alimentos pelo sabor adocicado, é mais importante observar:
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o tamanho da porção;
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a preparação utilizada;
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os demais alimentos da refeição;
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a quantidade total de carboidratos consumida;
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a resposta individual à alimentação.
Uma porção de cenoura ou beterraba em uma refeição equilibrada costuma representar uma quantidade relativamente pequena de carboidratos.
Benefícios da beterraba
A beterraba é fonte de fibras, folato, potássio e compostos bioativos, incluindo betalaínas.
Ela também contém nitratos, que podem participar da produção de óxido nítrico e influenciar a função vascular. Estudos investigam o consumo de beterraba e seus derivados em relação à pressão arterial e ao desempenho físico, mas isso não significa que a beterraba seja um tratamento para hipertensão ou outras doenças.
Confira também: 7 benefícios da beterraba para a saúde.
Benefícios da cenoura
A cenoura é especialmente conhecida por seu conteúdo de carotenoides, incluindo o betacaroteno, precursor da vitamina A.
A vitamina A contribui para funções importantes do organismo, incluindo a manutenção da visão, da pele e do sistema imunológico.
A cenoura também fornece fibras e outros micronutrientes e pode ser consumida crua, cozida, assada ou em diferentes preparações.
Confira também: 10 benefícios das cenouras para a saúde.
Mas e o açúcar de beterraba?
Existe uma diferença importante entre a beterraba de mesa, consumida normalmente, e a beterraba açucareira, cultivada principalmente para a produção de sacarose.
A beterraba açucareira (Beta vulgaris subsp. vulgaris grupo Altissima) foi selecionada para apresentar elevada concentração de sacarose na raiz. Já a beterraba de mesa, consumida como hortaliça, possui uma composição diferente.
O fato de o açúcar poder ser produzido a partir da beterraba açucareira não significa que a beterraba de mesa seja equivalente ao açúcar de mesa.
É a diferença entre uma matéria-prima agrícola rica em sacarose e uma hortaliça consumida como alimento.
E o açúcar presente na cenoura e na beterraba?
Os açúcares naturalmente presentes nesses vegetais fazem parte da composição do alimento e aparecem acompanhados de água, fibras, micronutrientes e compostos bioativos.
Isso é diferente de consumir açúcar de mesa ou alimentos e bebidas com grandes quantidades de açúcares adicionados.
Por esse motivo, não faz sentido avaliar cenoura e beterraba apenas pelo fato de terem sabor adocicado.
E o índice glicêmico?
O índice glicêmico (IG) é uma medida que compara a resposta da glicose no sangue após o consumo de uma quantidade padronizada de carboidratos disponíveis de determinado alimento, em condições específicas.
Ele não é uma nota que mede se um alimento é saudável ou não.
Além disso, o IG pode variar conforme:
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o tipo e a variedade do alimento;
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o grau de maturação;
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o método de preparo;
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o tempo de cozimento;
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a quantidade consumida;
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a combinação com proteínas, gorduras e fibras.
Por isso, não é necessário decorar um único valor de IG para cenoura ou beterraba e utilizá-lo isoladamente para decidir se o alimento deve ou não ser consumido.
E a carga glicêmica?
A carga glicêmica considera tanto a resposta glicêmica do alimento quanto a quantidade de carboidrato disponível efetivamente consumida na porção.
Isso ajuda a entender por que um alimento que apresenta determinada resposta glicêmica em testes pode ter um efeito mais discreto quando consumido em uma porção pequena.
Na prática, para pessoas com diabetes, costuma ser mais útil considerar a quantidade total de carboidratos da refeição e sua composição, em vez de olhar apenas para o índice glicêmico de um único alimento.
Cenoura e beterraba aumentam a glicose no sangue?
Como contêm carboidratos, cenoura e beterraba podem contribuir para a elevação da glicose no sangue. Isso é normal.
A questão é quanto e em que contexto.
Uma pequena porção de cenoura ou beterraba não deve ser comparada, por exemplo, a uma bebida açucarada ou a uma grande quantidade de doces.
Além disso, consumir os vegetais inteiros, em vez de transformá-los em preparações com adição de açúcar, geralmente favorece uma alimentação mais equilibrada.
Cenoura ou beterraba: qual tem menos carboidrato?
Os valores variam conforme o alimento e o preparo, mas os dados da TBCA mostram que a cenoura cozida apresenta menos carboidratos totais e disponíveis por 100 g do que a beterraba cozida.
Isso, porém, não significa que uma seja “melhor” ou “mais saudável” do que a outra.
As duas podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, oferecendo nutrientes diferentes.
Como consumir cenoura e beterraba?
Algumas formas simples de incluí-las na alimentação são:
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cruas em saladas;
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cozidas como acompanhamento;
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assadas com ervas e azeite;
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em sopas e cremes;
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combinadas com folhas e outras verduras;
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em preparações com leguminosas e fontes de proteína.
Para pessoas com diabetes, o ideal é evitar preparações que transformem esses vegetais em sobremesas ou bebidas com grandes quantidades de açúcar adicionado.
Conclusão
Afinal, é verdade que cenoura e beterraba têm muito açúcar?
Não.
Cenoura e beterraba contêm carboidratos e açúcares naturais, mas são vegetais nutritivos e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. Inclusive, a American Diabetes Association classifica ambos como vegetais não amiláceos.
O fato de terem sabor levemente adocicado não significa que devam ser evitados. Para pessoas com diabetes, mais importante do que excluir esses alimentos é considerar porções, quantidade total de carboidratos, composição da refeição e orientação individual.
Portanto, não há motivo para banir cenoura ou beterraba da alimentação apenas porque elas têm sabor doce. Pelo contrário: variar o consumo de vegetais é uma das bases de uma alimentação saudável. A OMS recomenda uma dieta diversificada, com ampla presença de vegetais, frutas, leguminosas e outros alimentos nutritivos.
Referências
American Diabetes Association. Non-starchy Vegetables.
https://diabetes.org/food-nutrition/reading-food-labels/non-starchy-vegetables
TBCA – Tabela Brasileira de Composição de Alimentos. Beterraba, sem casca, cozida, drenada, sem óleo e sem sal.
https://www.tbca.net.br/
TBCA – Tabela Brasileira de Composição de Alimentos. Cenoura, sem casca, cozida, drenada, sem óleo.
https://www.tbca.net.br/
World Health Organization. Healthy diet. 2026.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/healthy-diet
World Health Organization. Increasing fruit and vegetable consumption to reduce the risk of noncommunicable diseases.
https://www.who.int/tools/elena/interventions/fruit-vegetables-ncds