PANCs conheça as plantas alimentícias não convencionais

PANC é a sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais.
O termo se refere a espécies de plantas que possuem partes comestíveis que não fazem parte do consumo convencional da população. Folhas, talos, flores, brotos, rizomas, sementes, raízes e tubérculos são alguns exemplos de partes que podem ser aproveitadas, dependendo da espécie.
Embora o consumo de PANCs tenha ganhado mais destaque nos últimos anos, muitas dessas plantas são utilizadas na alimentação há milhares de anos. Algumas são encontradas espontaneamente em diferentes ambientes e outras podem ser cultivadas em hortas, jardins e até mesmo em pequenos espaços dentro de casa.
Em geral, as PANCs apresentam grande diversidade de espécies e podem se adaptar a diferentes condições de cultivo. No entanto, isso não significa que todas sejam resistentes às mudanças climáticas ou que possam crescer sem cuidados. As características variam bastante de acordo com a espécie e o ambiente.
Algumas PANCs são cultivadas em hortas escolares e comunitárias, jardins e propriedades rurais, enquanto outras podem surgir espontaneamente em terrenos, parques e canteiros.
Do ponto de vista nutricional, muitas PANCs fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. A composição nutricional, entretanto, varia de acordo com a espécie e a parte da planta consumida.
Além de ampliar a diversidade alimentar, o cultivo e o consumo responsável de PANCs podem contribuir para a valorização da biodiversidade, dos conhecimentos tradicionais e da agricultura local.
Em um cenário de crescimento populacional e mudanças ambientais, ampliar a variedade de espécies utilizadas na alimentação pode ser uma estratégia interessante para diversificar os sistemas alimentares e valorizar espécies adaptadas a diferentes condições de cultivo.
Por isso, incluir PANCs na alimentação, quando identificadas corretamente e preparadas de maneira adequada, pode ser uma forma de experimentar novos sabores, diversificar a dieta e conhecer melhor a biodiversidade presente no território brasileiro.
Uso das Plantas Alimentícias Não Convencionais na alimentação
Devido à sua diversidade, as PANCs podem ser utilizadas de diferentes maneiras na culinária, incluindo sucos, saladas, refogados, sopas, pães, tortas, omeletes e outras preparações.
Veja abaixo alguns exemplos de Plantas Alimentícias Não Convencionais e formas tradicionais de utilização:
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Almeirão-de-árvore (Lactuca canadensis L.): pode ser utilizado de maneira semelhante à couve ou ao espinafre, tanto em preparações quentes quanto em saladas. Também pode acompanhar feijão, arroz e angu, além de ser utilizado como recheio de bolinhos e tortas.
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Araruta (Maranta arundinacea): a raiz ou rizoma é utilizada tradicionalmente para a produção de polvilho. O polvilho pode ser empregado no preparo de bolos, biscoitos e mingaus, além de ajudar a engrossar molhos, cremes e sopas.
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Azedinha (Rumex acetosa L.): as folhas frescas podem ser utilizadas em saladas e sucos, conferindo um sabor ácido característico. Também podem ser refogadas ou utilizadas em sopas e molhos.
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Beldroega (Portulaca oleracea): folhas e talos podem ser utilizados em saladas, sucos, sopas e caldos.
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Bertalha (Basella alba L.): pode ser preparada refogada ou utilizada em sopas, de maneira semelhante ao espinafre.
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Capiçoba (Erechtites valerianifolius): apresenta sabor levemente amargo e pode ser preparada de maneira semelhante à couve, acompanhando pratos como angu, arroz e feijão.
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Capuchinha (Tropaeolum majus): apresenta sabor levemente picante e pode ser utilizada em saladas. Folhas, flores e outras partes comestíveis podem ser aproveitadas conforme o preparo. Os frutos verdes também podem ser preparados em conserva, de maneira semelhante às alcaparras.
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Cará (Dioscorea batatas): pode ser consumido cozido, frito ou assado, além de ser utilizado no preparo de pães e outras receitas.
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Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum L.): muito utilizada como condimento, especialmente na culinária da região Norte, onde pode fazer parte do tradicional cheiro-verde.
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Chuchu-de-vento (Cyclanthera pedata): os frutos podem ser consumidos cozidos ou refogados, em preparações com carnes e aves ou recheados. Os frutos jovens também podem ser consumidos crus.
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Cubiu (Solanum sessiliflorum): pode ser consumido ao natural ou utilizado no preparo de sucos, doces, geleias e compotas. Também pode ser empregado em caldeiras de peixe e como ingrediente de preparações com carnes e frango.
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Jacatupé (Pachyrhizus tuberosus): suas raízes podem ser consumidas cruas ou cozidas e utilizadas em sopas, massas e preparações de panificação.
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Jambu (Acmella oleracea): apresenta sabor característico e provoca uma sensação de formigamento ou dormência na boca. É muito utilizado na culinária da região Norte, especialmente em pratos tradicionais como tacacá e pato no tucupi.
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Jurubeba (Solanum paniculatum): seus frutos apresentam sabor amargo e podem ser utilizados cozidos em preparações com arroz e feijão ou preparados em conserva.
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Mangarito (Xanthosoma riedelianum): depois de cozido, apresenta textura macia e pode ser utilizado de maneira semelhante à batata e à mandioca, em preparações como purês, bolinhos, sopas e assados.
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Maxixe (Cucumis anguria): pode ser consumido refogado ou cozido com arroz, carne e feijão. Também pode ser consumido cru, conforme a preparação e a preferência.
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Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata): é tradicionalmente utilizado na culinária mineira, especialmente em preparações com frango e angu. As folhas também podem ser utilizadas em sopas, recheios, mexidos e omeletes.
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Peixinho (Stachys byzantina): as folhas podem ser utilizadas em sucos, refogados, sopas, omeletes e recheios. Quando empanadas e fritas, apresentam textura e sabor que lembram peixe, o que explica seu nome popular.
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Serralha (Sonchus oleraceus): as folhas podem ser utilizadas em saladas ou preparadas refogadas.
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Taioba (Xanthosoma sagittifolium Schott): as folhas podem ser utilizadas refogadas ou cozidas em preparações com frango, carne moída e arroz, além de omeletes e suflês. A taioba não deve ser consumida crua, pois contém cristais de oxalato de cálcio que podem causar irritação. O preparo adequado é fundamental. Os rizomas de variedades apropriadas também podem ser consumidos cozidos.
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Inhame (Colocasia esculenta): os rizomas podem ser consumidos cozidos ou assados e utilizados em diferentes preparações culinárias.
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Vinagreira (Hibiscus sabdariffa): folhas e outras partes da planta podem ser utilizadas em diferentes preparações. Os cálices são empregados no preparo de geleias e bebidas, enquanto a planta é ingrediente tradicional do arroz de cuxá, no Maranhão.
Atenção ao identificar PANCs
Um dos principais cuidados com as PANCs é a identificação correta da espécie. Algumas plantas comestíveis possuem espécies semelhantes que podem ser tóxicas, e determinadas espécies precisam de preparo específico para reduzir ou eliminar substâncias potencialmente prejudiciais.
Por isso, nunca consuma uma planta encontrada espontaneamente apenas porque ela se parece com uma PANC conhecida. A identificação deve ser feita com segurança, preferencialmente com auxílio de fontes especializadas ou pessoas com conhecimento sobre botânica e plantas alimentícias.
Também é importante evitar a coleta de plantas em locais sujeitos à contaminação, como margens de ruas movimentadas, terrenos que possam receber agrotóxicos ou áreas onde haja contato com resíduos e poluentes.
Onde encontrar Plantas Alimentícias Não Convencionais em SP?
Para encontrar PANCs, uma alternativa é procurar feiras de produtos orgânicos, produtores locais, hortas comunitárias e iniciativas de agricultura urbana. Algumas espécies também podem ser cultivadas em casa.
Na cidade de São Paulo, algumas hortas e espaços de agricultura urbana historicamente associados ao cultivo e à divulgação de PANCs incluem:
Horta da Faculdade de Medicina da USP
Av. Doutor Arnaldo, 455, Pacaembu
Localizada na região central de São Paulo, a Horta da Faculdade de Medicina da USP conta com a participação de funcionários e voluntários nos cuidados com as plantas. O espaço também está relacionado a iniciativas de educação e cultivo de espécies alimentícias.
Horta das Flores
Av. Alcântara Machado, 2.200, Brás
A Horta das Flores reúne diferentes iniciativas de agricultura urbana, incluindo viveiro de mudas, áreas de cultivo e espécies alimentícias não convencionais. O espaço também recebe atividades relacionadas à segurança alimentar e nutricional, agroecologia e meio ambiente.
Horta das Corujas
Av. das Corujas, 39, Sumarezinho
A Horta das Corujas é uma iniciativa de agricultura urbana comunitária que valoriza a biodiversidade e o cultivo de diferentes espécies. Entre as plantas presentes no espaço estão algumas PANCs, como capuchinha, taioba e peixinho-da-horta.
Como horários de visitação, regras de colheita e disponibilidade de mudas podem mudar, é importante verificar previamente as informações atualizadas de cada espaço antes de visitar ou coletar qualquer planta.
Conclusão
As Plantas Alimentícias Não Convencionais representam uma maneira interessante de ampliar a diversidade da alimentação e valorizar espécies, conhecimentos tradicionais e formas de cultivo presentes em diferentes regiões do Brasil.
Além de possibilitarem novas experiências gastronômicas, muitas PANCs fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos e podem fazer parte de uma alimentação variada e equilibrada.
No entanto, conhecer corretamente a planta é indispensável antes de consumi-la. Nem toda espécie encontrada espontaneamente é comestível, e algumas PANCs precisam ser submetidas a métodos específicos de preparo.
Por isso, antes de levar uma PANC para o prato, informe-se sobre a identificação da espécie, a parte que pode ser consumida e a forma correta de preparo. Assim, é possível aproveitar a diversidade da flora brasileira com mais segurança e consciência.
Fontes:
SUSTENTAREA. Revista Sustentarea, novembro de 2021, v. 5, n. 4. Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
MAPA. Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. Manual de hortaliças não convencionais. Brasília, DF, 2010. 92 p.