Os perigos dos agrotóxicos - 10 alimentos com mais agrotóxicos

Entenda os riscos dos agrotóxicos, saiba como funciona o monitoramento de resíduos nos alimentos e descubra o que você pode fazer para reduzir a exposição.
A presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos é um tema importante para a saúde pública e para o meio ambiente. Mas, para entender corretamente esse assunto, é fundamental diferenciar presença de resíduos, irregularidade e risco à saúde.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha os resíduos de agrotóxicos por meio do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). O objetivo é verificar a conformidade dos alimentos comercializados e avaliar possíveis riscos para a população.
Os agrotóxicos fazem mal?
Agrotóxicos são substâncias utilizadas na agricultura para controlar pragas, doenças e plantas invasoras. Dependendo da substância, da dose e da forma de exposição, podem apresentar diferentes níveis de toxicidade.
A exposição ocupacional, especialmente durante o preparo e a aplicação dos produtos, pode ser muito maior do que a exposição do consumidor por meio da alimentação.
Por isso, não basta saber que um resíduo foi detectado em determinado alimento. É necessário avaliar sua concentração, o consumo daquele alimento e os valores toxicológicos de referência.
É justamente essa avaliação que permite diferenciar perigo de risco.
O que a Anvisa encontrou nos alimentos?
No ciclo 2024 do PARA, foram analisadas 3.084 amostras de 14 alimentos, coletadas em estabelecimentos varejistas de 88 municípios brasileiros. Foram pesquisados até 338 agrotóxicos diferentes.
Dos resultados:
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79,4% das amostras foram satisfatórias;
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em 25,6% não foram detectados resíduos dos agrotóxicos pesquisados;
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53,7% apresentaram resíduos em concentrações iguais ou inferiores aos limites máximos permitidos;
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20,6% foram consideradas insatisfatórias quanto à conformidade, principalmente por uso não autorizado para determinada cultura ou concentração acima do limite estabelecido.
Na avaliação de risco agudo, 12 amostras, equivalentes a 0,39% do total, apresentaram potencial de risco.
Já a avaliação de risco crônico, considerando 28.113 amostras de 36 alimentos e dados de 2013 a 2024, não identificou extrapolação da Ingestão Diária Aceitável para nenhum dos agrotóxicos avaliados.
Isso não significa que não existam problemas no uso de agrotóxicos. Significa que presença de resíduo não é sinônimo de risco à saúde.
10 alimentos que merecem atenção
Não existe uma lista permanente dos “10 alimentos com mais agrotóxicos”. O PARA trabalha em ciclos, e os alimentos analisados mudam ao longo do tempo. Por isso, rankings antigos encontrados na internet não devem ser apresentados como se fossem atuais.
No ciclo de 2024, os 14 alimentos avaliados foram:
abobrinha, aveia, banana, cebola, couve, laranja, maçã, mamão, milho, pepino, pera, soja, trigo e uva.
Entre eles, alguns apresentaram amostras com irregularidades. Porém, isso não significa que esses alimentos sejam “perigosos” para o consumidor nem que devam ser excluídos da alimentação.
A lista e os resultados também mudam a cada ciclo. Portanto, é mais correto acompanhar diretamente os relatórios atualizados do PARA do que repetir um ranking fixo de alimentos.
Quais são os principais problemas relacionados aos agrotóxicos?
1. Exposição ocupacional
Trabalhadores rurais e outras pessoas que manipulam agrotóxicos podem estar expostos a concentrações maiores do que a população em geral.
Por isso, o uso correto dos produtos, os equipamentos de proteção e o cumprimento das regras de aplicação são importantes para reduzir riscos ocupacionais.
2. Contaminação ambiental
Dependendo da substância e das condições de uso, os agrotóxicos podem alcançar solo, água e outros organismos.
O monitoramento ambiental e o uso adequado dos produtos são importantes para reduzir impactos sobre ecossistemas e biodiversidade.
3. Resistência de pragas
O uso repetitivo de determinados ingredientes ativos pode favorecer a seleção de populações de pragas resistentes.
O manejo integrado de pragas busca combinar diferentes estratégias para reduzir essa dependência.
4. Uso inadequado
Um dos problemas encontrados pelo PARA é a aplicação de um agrotóxico que não possui autorização para determinada cultura ou o uso em desacordo com os limites estabelecidos.
Essas irregularidades não significam automaticamente que o alimento represente risco à saúde, mas indicam que as boas práticas agrícolas não foram seguidas adequadamente.
Agricultura orgânica x agricultura convencional
Os dois sistemas de produção são regulamentados de maneiras diferentes.
Agricultura orgânica
No Brasil, a produção orgânica é regulamentada pela Lei nº 10.831/2003, pelo Decreto nº 6.323/2007 e por normas complementares do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O sistema orgânico estabelece regras específicas de produção, manejo, conservação dos recursos naturais, certificação e uso de insumos.
É importante esclarecer que orgânico não significa “sem nenhum produto fitossanitário”. Existem produtos fitossanitários com uso aprovado para a agricultura orgânica, desde que atendam às regras específicas do sistema.
Agricultura convencional
A agricultura convencional pode utilizar produtos fitossanitários registrados e autorizados, seguindo regras relacionadas à cultura, dose, aplicação e período de carência.
Assim, “convencional” não significa necessariamente produção sem controle ou alimento inseguro.
Alimentos orgânicos são mais nutritivos?
Não é correto afirmar que todos os alimentos orgânicos tenham automaticamente maior valor nutricional.
A composição de frutas, legumes e verduras depende de muitos fatores, como espécie, variedade, solo, clima, maturação, armazenamento e manejo.
A principal diferença entre os sistemas está nas práticas de produção, regras de uso de insumos, manejo ambiental e sistema de certificação, e não em uma garantia de que todo alimento orgânico terá mais vitaminas ou minerais.
Quais são os benefícios de escolher alimentos orgânicos?
A escolha por alimentos orgânicos pode estar relacionada a diferentes fatores.
Algumas pessoas valorizam o sistema de produção por questões ambientais, de manejo, bem-estar do solo, biodiversidade ou preferência pessoal.
Além disso, a legislação brasileira estabelece mecanismos de avaliação da conformidade e rastreabilidade para os produtos orgânicos certificados.
Isso não significa, porém, que alimentos convencionais sejam inadequados para consumo.
Como reduzir a exposição a resíduos de agrotóxicos?
A própria Anvisa orienta algumas medidas simples:
Lave frutas, verduras e legumes
A lavagem em água corrente pode reduzir parte dos resíduos presentes na superfície do alimento.
Quando apropriado, uma escovinha exclusiva para essa finalidade pode ajudar na remoção de resíduos externos. Porém, a lavagem não elimina substâncias que tenham penetrado no interior do alimento.
Higienize corretamente
A solução de hipoclorito de sódio é utilizada para reduzir riscos microbiológicos, e não para remover agrotóxicos.
Prefira alimentos da época
A Anvisa recomenda dar preferência a alimentos da época e a produtos provenientes de sistemas com boas práticas agrícolas e manejo integrado de pragas, que em geral podem receber menor carga de produtos.
Procure produtos com rastreabilidade
Alimentos com identificação do produtor permitem maior rastreabilidade da cadeia de produção e podem contribuir para o controle da qualidade.
Não deixe de consumir frutas, legumes e verduras
Esse é um dos pontos mais importantes.
A preocupação com agrotóxicos não deve levar à redução do consumo de frutas, verduras e legumes. A própria Anvisa destaca que esses alimentos são essenciais para uma alimentação saudável.
E os alimentos orgânicos?
Escolher alimentos orgânicos pode ser uma alternativa para quem valoriza esse sistema de produção e deseja reduzir a exposição a determinados resíduos de produtos fitossanitários.
Mas não é necessário consumir exclusivamente produtos orgânicos para ter uma alimentação saudável.
No caso da Boomi, valorizamos a produção orgânica, a proximidade com os produtores e uma cadeia de alimentação mais sustentável. Nosso objetivo é facilitar o acesso a alimentos que estejam alinhados com essa proposta.
Conclusão
Os agrotóxicos merecem atenção por seus potenciais impactos sobre trabalhadores, meio ambiente e saúde, mas é importante interpretar corretamente os dados científicos.
A presença de um resíduo em um alimento não significa automaticamente que aquele alimento seja perigoso. É necessário considerar a concentração encontrada, a exposição e os limites toxicológicos estabelecidos.
Os dados mais recentes do PARA mostram justamente essa diferença: embora tenham sido encontradas amostras com irregularidades no ciclo 2024, a avaliação não identificou situação de potencial risco crônico para os consumidores nos dados avaliados de 2013 a 2024.
Por isso, continue consumindo frutas, verduras e legumes, lave-os adequadamente e, quando fizer sentido para você, escolha alimentos orgânicos, de produtores identificados e com boa rastreabilidade.