O que são os produtos clean label?

Já ouviu falar no termo “clean label”? Os produtos clean label ganharam espaço entre consumidores que buscam conhecer melhor os ingredientes presentes nos alimentos. Neste post, explicamos o que esse conceito significa, como surgiu e o que observar na hora de escolher um produto.
O termo “clean label”, que pode ser traduzido livremente como “rótulo limpo”, é utilizado para descrever uma tendência da indústria de alimentos relacionada à busca por produtos com listas de ingredientes mais simples, compreensíveis e, em muitos casos, com menor utilização de determinados aditivos ou ingredientes considerados pouco familiares pelos consumidores.
Embora o conceito seja bastante associado aos alimentos, a ideia de “clean label” também se espalhou para outras categorias, como cosméticos e produtos de limpeza.
Sabe quando você lê um rótulo e encontra uma lista de ingredientes com nomes que não reconhece?
Isso, por si só, não significa que o produto seja ruim ou que determinado ingrediente ofereça risco à saúde. Os aditivos alimentares, por exemplo, são utilizados por razões tecnológicas específicas, como conservação, estabilidade, textura, cor e sabor, e seu uso é regulamentado.
A proposta do movimento clean label é, em grande parte, tornar as formulações mais simples e transparentes para o consumidor, utilizando ingredientes que sejam mais familiares e, em determinados casos, substituindo alguns aditivos convencionais por alternativas de origem natural.
Mas é importante entender que “clean label” não é uma categoria oficial de alimentos e não significa, automaticamente, que um produto seja mais saudável.
Como surgiu o conceito de clean label?
O movimento clean label ganhou força à medida que os consumidores passaram a demonstrar maior interesse pela composição dos alimentos, pela origem dos ingredientes e pelos métodos de produção.
A literatura científica mostra que não existe uma definição única e objetiva para clean label. O conceito pode envolver diferentes características, como produtos considerados mais naturais, listas de ingredientes mais simples ou a ausência de determinados ingredientes e aditivos artificiais.
O termo ganhou espaço principalmente a partir dos anos 2000. Uma revisão científica sobre a tendência aponta que a expressão “clean label” apareceu duas vezes em artigos da revista Food Technology no ano 2000, 18 vezes em 2011 e 77 vezes em 2016, mostrando como o assunto ganhou relevância para a indústria de alimentos.
Essa tendência acompanha uma busca crescente por informações mais claras sobre aquilo que consumimos.
No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, propõe uma abordagem diferente da simples análise de nutrientes isolados. O Guia recomenda que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados e que o consumo de alimentos processados seja limitado, enquanto os ultraprocessados devem ser evitados.
Como o Guia Alimentar classifica os alimentos?
Para entender melhor essa classificação, vale conhecer as quatro categorias utilizadas pelo Guia:
1. Alimentos in natura ou minimamente processados
São alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais e que não sofreram alterações após serem retirados da natureza ou passaram por processos mínimos, como limpeza, moagem, secagem, pasteurização, refrigeração ou congelamento, sem adição de sal, açúcar, óleos ou gorduras.
Exemplos: frutas, legumes, verduras, ovos, carnes, leite, arroz, feijão, lentilhas, castanhas e aveia.
2. Ingredientes culinários processados
São produtos utilizados para temperar e preparar os alimentos, obtidos a partir de alimentos ou da natureza por processos como prensagem, moagem ou refino.
Exemplos: óleos, gorduras, sal e açúcar.
3. Alimentos processados
São alimentos produzidos a partir de alimentos in natura ou minimamente processados com a adição de ingredientes culinários, como sal, açúcar, óleos ou gorduras.
Exemplos: legumes em conserva, frutas em calda, alguns queijos, carnes salgadas e pães.
4. Alimentos ultraprocessados
São formulações industriais produzidas com diversas etapas e técnicas de processamento e que geralmente apresentam vários ingredientes, incluindo aditivos alimentares e substâncias pouco utilizadas na culinária doméstica.
Exemplos incluem refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, algumas salsichas, balas e outros produtos formulados industrialmente.
O Guia Alimentar recomenda que a base da alimentação seja composta por alimentos in natura ou minimamente processados e suas preparações culinárias. Os alimentos processados devem ser consumidos em pequenas quantidades e os ultraprocessados devem ser evitados.
Qual é a definição de um produto clean label?
Aqui está um ponto importante: não existe uma definição legal única e universal para o termo “clean label”.
O conceito é utilizado pelo mercado de diferentes maneiras e não possui uma classificação oficial que determine exatamente quando um produto pode ou não ser chamado de clean label.
De maneira geral, o movimento está associado a produtos que apresentam características como:
-
lista de ingredientes mais simples;
-
ingredientes facilmente reconhecíveis pelo consumidor;
-
menor utilização de determinados aditivos artificiais;
-
preferência por ingredientes de origem natural em determinadas formulações;
-
maior transparência sobre a composição do produto.
Isso não significa que todo produto clean label precise obrigatoriamente atender a todos esses critérios.
Também é importante destacar que “natural”, “orgânico”, “sem aditivos artificiais” e “clean label” não são expressões equivalentes. Um produto pode se enquadrar em uma dessas características sem necessariamente se enquadrar nas demais.
Clean label é sinônimo de produto saudável?
Não necessariamente.
Esse é um dos principais cuidados ao interpretar o conceito.
Um produto pode ter uma lista de ingredientes curta e facilmente compreensível e, ainda assim, apresentar grande quantidade de açúcar, gordura saturada ou sódio.
Da mesma forma, a presença de um ingrediente com nome pouco familiar não significa automaticamente que o alimento seja inadequado ou prejudicial.
Por isso, o ideal é não avaliar um alimento apenas pela aparência da lista de ingredientes.
A quantidade consumida, o valor nutricional, o grau de processamento e o contexto da alimentação como um todo também são importantes.
Como funciona a reformulação clean label?
Um dos principais movimentos associados ao clean label é a reformulação de produtos para substituir determinados ingredientes por alternativas que sejam mais familiares ao consumidor ou que atendam à busca por ingredientes de origem natural.
Por exemplo, dependendo da formulação, podem ser utilizados ingredientes como frutas, sucos concentrados, ervas e especiarias para desempenhar determinadas funções tecnológicas ou sensoriais.
É importante, porém, analisar cada caso individualmente.
Trocar um ingrediente por outro não significa necessariamente tornar o produto mais saudável. Uma substituição pode alterar sabor, textura, estabilidade, validade e composição nutricional.
Por isso, clean label está muito mais relacionado à composição e à percepção de transparência do produto do que a uma garantia automática de qualidade nutricional.
Por que optar por produtos clean label?
Escolher produtos com listas de ingredientes mais simples e fáceis de compreender pode facilitar a leitura dos rótulos e ajudar o consumidor a fazer escolhas de acordo com seus próprios critérios.
Mas isso não significa que todos os produtos clean label sejam melhores do que todos os produtos convencionais.
O mais importante é olhar o alimento dentro do contexto da alimentação.
Um snack de vegetais e grãos ou uma barra de frutas secas e nuts, por exemplo, pode ser uma opção prática para determinadas situações. Ainda assim, é importante observar a composição, o tamanho da porção e a frequência de consumo.
Na Boomi, temos uma curadoria própria de produtos, baseada em critérios definidos para a seleção dos itens comercializados. Como parte desse processo, a Boomi possui uma lista de ingredientes que não são aprovados em sua curadoria, abrangendo categorias como alimentos, suplementos, cosméticos e produtos de limpeza.
Você pode conhecer esses critérios e consultar a relação de ingredientes na página Ingredientes Banidos.
Isso faz parte da proposta da Boomi de oferecer mais transparência e facilitar a escolha de produtos alinhados aos seus critérios de qualidade.
E os alimentos ultraprocessados?
É importante lembrar que consumir um alimento ultraprocessado eventualmente não significa que toda a alimentação esteja comprometida.
Uma alimentação saudável não precisa ser perfeita.
O Guia Alimentar recomenda que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados, mas isso não significa que uma pessoa precise transformar cada escolha alimentar em uma questão de “certo” ou “errado”.
O mais importante é observar o padrão alimentar como um todo.
Da mesma forma, um produto clean label não deve ser consumido sem moderação simplesmente por carregar essa característica.
Mesmo alimentos feitos com ingredientes simples podem apresentar alta densidade energética ou grandes quantidades de determinados nutrientes quando consumidos em excesso.
Aprenda a interpretar os rótulos
Mesmo quando um produto apresenta uma proposta clean label, saber interpretar o rótulo continua sendo fundamental.
Observe a lista de ingredientes, a quantidade por porção, as informações nutricionais e, quando presente, a rotulagem nutricional frontal.
Assim, você consegue entender melhor o que está comprando e tomar decisões de acordo com seus objetivos e necessidades.
Se quiser aprender mais, confira também o nosso conteúdo “Como interpretar o rótulo dos alimentos?”.
No fim das contas, mais importante do que procurar produtos com uma determinada classificação é desenvolver autonomia para entender aquilo que você coloca no carrinho e no prato.
Conhecer os ingredientes, compreender os rótulos e olhar para a alimentação como um todo são ferramentas importantes para fazer escolhas mais conscientes.
E, quando necessário, procure um nutricionista para receber uma orientação individualizada.