Diferença entre frango orgânico e frango sustentável

Orgânico e sustentável parecem sinônimos, mas existem diferenças importantes entre esses sistemas de produção. Entenda como são criados, alimentados e certificados.
A preocupação com a origem dos alimentos, o bem-estar animal e os impactos ambientais vem crescendo entre os consumidores. Com isso, ganharam espaço sistemas de criação que adotam diferentes práticas de manejo, alimentação, sanidade e bem-estar.
Mas é importante fazer uma distinção: orgânico é uma categoria regulamentada pela legislação brasileira, enquanto termos como sustentável ou alternativo podem estar relacionados a protocolos e certificações específicos do produtor.
Frango convencional
Existe um mito de que os frangos convencionais recebem hormônios para crescer mais rápido. Isso não é verdade: o uso de hormônios na criação de aves é proibido no Brasil. O rápido crescimento dos frangos comerciais está relacionado principalmente ao melhoramento genético, à nutrição e ao manejo.
Na produção convencional, a alimentação é formulada para atender às necessidades nutricionais das aves e pode utilizar ingredientes autorizados pela legislação brasileira. Também podem ser utilizados medicamentos veterinários quando necessários e de acordo com as normas aplicáveis.
O tempo de criação e a densidade das aves variam de acordo com o sistema, o produtor e o manejo adotado. Por isso, não é adequado afirmar que todo frango convencional seja criado com determinada densidade ou idade fixa de abate.
Frango sustentável ou alternativo
Não existe uma única definição universal de “frango sustentável”. Na prática, o termo pode identificar sistemas que adotam protocolos específicos de alimentação, manejo, sanidade e bem-estar.
Em alguns sistemas certificados de avicultura alternativa, como os associados à AVAL, podem existir exigências como:
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ração com ingredientes não transgênicos;
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ausência de ingredientes de origem animal na alimentação;
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não utilização de antibióticos e determinados promotores de crescimento;
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controle de densidade e condições de criação;
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acompanhamento das condições sanitárias e de bem-estar.
A AVAL atualmente representa produtores de aves criadas segundo protocolos específicos, com atenção ao bem-estar animal e às características do sistema alternativo.
Portanto, para saber exatamente o que significa “sustentável” em determinado produto, é importante verificar o rótulo, a certificação e os critérios adotados pelo produtor.
Frango orgânico
Para que um frango seja comercializado como orgânico, a produção deve seguir a legislação brasileira de produção orgânica e estar submetida ao sistema de avaliação da conformidade previsto pelo MAPA.
A produção orgânica segue regras específicas para alimentação, manejo, sanidade, instalações, bem-estar e controle de insumos.
Na alimentação, os animais devem receber ingredientes permitidos pelas normas da produção orgânica, sem organismos geneticamente modificados. A legislação também estabelece regras específicas para medicamentos e outras substâncias utilizadas no manejo sanitário.
No caso das aves de corte, a regulamentação prevê acesso a áreas externas e estabelece limites de densidade, além de requisitos de bem-estar. A Portaria MAPA nº 52/2021 determina, por exemplo, densidade máxima de 30 kg/m² nas instalações para aves de corte e regras para a área externa.
Qual é a diferença entre frango orgânico e sustentável?
A principal diferença não está simplesmente em dizer que um é “mais saudável” que o outro.
O frango orgânico precisa atender a uma legislação específica e possuir certificação conforme as regras brasileiras, enquanto um frango sustentável ou alternativo pode seguir protocolos próprios, definidos por produtores ou entidades de certificação.
Na prática, os sistemas podem apresentar diferenças em:
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alimentação;
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uso de medicamentos;
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manejo das aves;
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densidade;
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acesso à área externa;
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bem-estar animal;
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critérios ambientais;
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certificação e rastreabilidade.
Por isso, o consumidor deve observar quais critérios estão realmente associados ao produto adquirido.
E o bem-estar animal?
O bem-estar animal envolve muito mais do que o espaço disponível.
Também estão envolvidos fatores como:
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qualidade da alimentação e da água;
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ventilação e temperatura;
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iluminação;
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condições das instalações;
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saúde das aves;
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manejo;
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possibilidade de expressar comportamentos naturais;
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transporte e abate.
Na produção orgânica, esses aspectos fazem parte das exigências estabelecidas pelo regulamento.
Valor nutricional
Independentemente do sistema de criação, o frango é uma boa fonte de proteína de alta qualidade e fornece nutrientes como ferro, zinco, selênio e vitaminas do complexo B.
O perfil nutricional da carne pode variar conforme o corte, a alimentação da ave, o teor de gordura e outros fatores. Portanto, não é correto afirmar que o frango orgânico ou sustentável seja necessariamente muito mais nutritivo que o convencional.
O principal diferencial desses sistemas está nas práticas de produção, alimentação, manejo, bem-estar e critérios ambientais, e não necessariamente em uma grande diferença no valor nutricional da carne.
Qual escolher?
Não existe uma única resposta.
O frango convencional segue as normas sanitárias e de produção aplicáveis ao sistema convencional. Já os produtos orgânicos e alternativos podem atender a critérios adicionais relacionados à alimentação, manejo, bem-estar e certificação.
Se essas características são importantes para você, leia o rótulo e procure informações sobre:
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origem;
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certificação;
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alimentação das aves;
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uso de transgênicos;
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uso de antibióticos;
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sistema de criação;
-
bem-estar animal.
Assim, você consegue escolher de forma mais consciente e de acordo com os seus valores.
Conclusão
Orgânico, sustentável e convencional não são simplesmente sinônimos de “melhor” ou “pior”.
Cada sistema possui características próprias e diferentes critérios de produção.
No caso dos orgânicos, existe uma regulamentação específica e um sistema oficial de avaliação da conformidade.
Nos sistemas alternativos, os critérios dependem do protocolo e da certificação adotados pelo produtor.
E, independentemente da escolha, o mais importante é adquirir produtos de origem conhecida, devidamente inspecionados e armazenados corretamente.
Consumir de forma consciente também é conhecer a história por trás do alimento que chega à nossa mesa.