Alimentos que melhoram e que pioram os sintomas da asma

Embora a alimentação não substitua o tratamento da asma, alguns padrões alimentares podem contribuir para o controle da doença. Por outro lado, determinados alimentos podem desencadear sintomas em pessoas que apresentam alergias específicas.
A asma é uma doença respiratória crônica caracterizada por inflamação das vias aéreas e sintomas que podem variar ao longo do tempo, como falta de ar, tosse, chiado e sensação de aperto no peito.
A doença resulta da interação de fatores genéticos e ambientais. Entre os possíveis desencadeadores estão fumaça de cigarro, poluição, ácaros, pólen, mofo, infecções respiratórias, exercícios e mudanças de temperatura. Em uma parcela pequena das pessoas com asma, uma alergia alimentar confirmada também pode desencadear sintomas respiratórios.
A asma é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 262 milhões de pessoas viviam com asma em 2019, e a doença esteve associada a aproximadamente 455 mil mortes naquele ano.
O diagnóstico é feito a partir da história clínica, dos sintomas e, quando indicado, de exames que demonstram variabilidade na limitação do fluxo expiratório, como a espirometria. O tratamento é individualizado e envolve medicamentos e estratégias de controle dos fatores de risco.
A alimentação não substitui os medicamentos prescritos nem deve ser utilizada para interromper o tratamento. Ainda assim, uma alimentação de boa qualidade pode fazer parte dos cuidados com a saúde de quem tem asma.
8 alimentos que podem ajudar ou desencadear sintomas da asma
As evidências disponíveis indicam benefícios associados principalmente ao padrão alimentar, e não a alimentos isolados. O GINA recomenda uma alimentação rica em frutas e verduras para as pessoas com asma, tanto pelos benefícios gerais à saúde quanto pela possível contribuição para o controle da doença.
Alimentos que podem fazer parte de uma alimentação favorável
1. Alimentos fonte de ômega-3
Peixes como sardinha, salmão e arenque fornecem os ácidos graxos ômega-3 EPA e DHA. Linhaça, chia e nozes fornecem principalmente ALA.
Os ômega-3 possuem funções importantes no organismo e vêm sendo estudados em relação às doenças inflamatórias, inclusive a asma. No entanto, os resultados dos estudos sobre suplementação e melhora dos sintomas da asma são inconsistentes. Portanto, não é correto afirmar que consumir ômega-3 trate ou controle a doença.
Ainda assim, peixes, sementes e nozes podem fazer parte de uma alimentação equilibrada e variada.
2. Frutas, legumes e verduras
Frutas e vegetais são fontes de fibras, vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos. Estudos observacionais associam maior consumo desses alimentos a menor risco de asma e de chiado, e há alguma evidência de que aumentar seu consumo possa contribuir para o controle da doença.
Boas opções incluem maçã, laranja, kiwi, morango, mamão, brócolis, couve-flor, espinafre, couve, cenoura, pimentão e tomate.
O ideal é variar os tipos e as cores ao longo da semana.
3. Cereais integrais
Aveia, arroz integral, cevada, milho integral e produtos elaborados com cereais integrais fornecem fibras e diferentes micronutrientes.
Uma alimentação com maior presença de alimentos integrais tende a apresentar melhor qualidade nutricional. As fibras também contribuem para a saúde intestinal, embora não seja correto afirmar que seu consumo forme um “gel” capaz de reduzir diretamente a inflamação pulmonar.
Assim, os cereais integrais podem fazer parte de uma alimentação favorável à saúde, mas não substituem o tratamento da asma.
4. Azeite de oliva
O azeite de oliva é fonte de gorduras monoinsaturadas e compostos fenólicos e é um dos alimentos característicos do padrão alimentar mediterrâneo.
Esse padrão alimentar, que também inclui frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais, peixes e oleaginosas, tem sido associado a melhores indicadores de saúde respiratória em estudos observacionais.
Não existe, porém, uma quantidade universal de azeite que deva ser consumida para controlar a asma. Ele deve ser utilizado de acordo com as necessidades energéticas e o conjunto da alimentação.
5. Castanhas e sementes
Nozes, castanha-do-pará, amêndoas, chia e linhaça fornecem gorduras insaturadas, fibras, minerais e outros compostos bioativos.
Esses alimentos podem ser incluídos em uma alimentação variada, inclusive como alternativa a produtos ultraprocessados. Entretanto, não há evidências suficientes para afirmar que castanhas ou sementes isoladamente reduzam as crises de asma.
Atenção: pessoas com alergia a oleaginosas devem evitá-las conforme orientação médica, pois essas alergias podem provocar reações graves.
Alimentos que podem desencadear sintomas em pessoas específicas
6. Amendoim
O amendoim não é um alimento que faça a asma piorar em todas as pessoas. Porém, em quem apresenta alergia ao amendoim, seu consumo pode desencadear uma reação alérgica que inclui chiado, aperto no peito e dificuldade para respirar. Em casos graves, pode ocorrer anafilaxia.
Por isso, pessoas com alergia confirmada precisam seguir rigorosamente as orientações de seu alergista e evitar o alimento e possíveis fontes de contaminação cruzada.
A presença de fungos ou aflatoxinas no amendoim não é motivo para recomendar que todas as pessoas com asma evitem o alimento.
7. Alimentos com trigo
O trigo está entre os principais alimentos associados à alergia alimentar. Em pessoas com alergia ao trigo, a ingestão pode provocar manifestações respiratórias, inclusive chiado e dificuldade para respirar.
Isso não significa que pessoas com asma precisem retirar o trigo ou o glúten da alimentação.
Doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten são condições diferentes. Na ausência de diagnóstico, a exclusão do trigo ou do glúten não deve ser feita apenas por ter asma.
8. Leite e outros laticínios
Leite e derivados também estão entre os alimentos que podem provocar alergia. Em pessoas com alergia às proteínas do leite, a reação pode incluir sintomas respiratórios e, em casos graves, anafilaxia.
Por outro lado, intolerância à lactose não é uma alergia e, em geral, provoca sintomas digestivos, como gases, distensão abdominal e diarreia, e não crises de asma.
Também não há evidências de que o consumo habitual de leite aumente a produção de muco ou piore a asma na população em geral.
Portanto, laticínios não precisam ser retirados da alimentação de todas as pessoas com asma. A exclusão só deve ocorrer quando houver alergia diagnosticada ou outra indicação individualizada.
Alimentação pode evitar crises de asma?
Não existe um alimento capaz de garantir a prevenção de uma crise. O controle adequado da asma depende principalmente do tratamento prescrito, do acompanhamento médico e do manejo dos fatores que desencadeiam os sintomas.
A alimentação pode contribuir como parte de um estilo de vida saudável. Atualmente, o GINA recomenda que pessoas com asma mantenham uma alimentação rica em frutas e verduras e adotem hábitos que favoreçam a saúde geral.
Além disso, pessoas com excesso de peso podem se beneficiar da perda de peso quando indicada, pois alguns estudos mostram melhora do controle da asma após redução de peso.
O que fazer durante uma crise de asma?
Uma crise de asma não deve ser tratada com alimentos, chás ou outras alternativas caseiras.
Ao perceber piora dos sintomas, a pessoa deve seguir o plano de ação elaborado com seu profissional de saúde e utilizar os medicamentos de alívio conforme prescrição. Dificuldade intensa para respirar, dificuldade para falar, lábios arroxeados ou ausência de resposta ao medicamento de alívio são sinais de emergência médica.
Alimentação e asma: o equilíbrio importa
Uma alimentação baseada em frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais integrais, peixes, sementes, castanhas e gorduras insaturadas pode contribuir para uma rotina mais saudável.
Da mesma forma, não é necessário excluir alimentos como trigo ou leite de todas as pessoas com asma. Restrições alimentares devem ser feitas quando existe uma indicação específica, especialmente no caso de alergias alimentares confirmadas.
Mais importante do que procurar um alimento “milagroso” é manter o tratamento da asma em dia e construir hábitos que favoreçam a saúde como um todo.
Isabella Coelho – Comunicação da Boomi