Alimentação saudável custa caro

Muitas vezes, uma alimentação saudável é considerada cara por pessoas que pretendem mudar seus hábitos alimentares. Mas será mesmo que alimentação saudável custa caro?
Uma alimentação baseada em preparações caseiras, utilizando alimentos da estação, pode, em muitos casos, ser mais econômica do que uma rotina baseada em refeições prontas, delivery e produtos ultraprocessados.
A impressão de que alimentação saudável custa caro também pode surgir da ideia de que, para se alimentar bem, é preciso investir em alimentos específicos, raros ou importados, como farinhas de castanhas, blueberries, sal do Himalaia e outros produtos. Mas não é nada disso.
Alimentação saudável pode ser simples, acessível e baseada em alimentos que fazem parte da cultura alimentar brasileira: arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, ovos, carnes, leite, aveia, mandioca, batata, entre muitos outros.
Alimentação saudável custa caro?
A percepção de que alimentação saudável custa caro pode estar relacionada à divulgação de determinados alimentos como sendo mais benéficos à saúde ou mais eficazes para a perda de peso, em detrimento de outras opções.
Mas a verdade é que não existem alimentos insubstituíveis ou milagrosos. Uma alimentação adequada pode ser construída com diferentes combinações de alimentos, respeitando a disponibilidade, a cultura alimentar e o orçamento de cada pessoa.
Além disso, os preços variam bastante de acordo com a região, a época do ano, o local de compra e a disponibilidade dos alimentos. Nem todos os alimentos de um mesmo grupo estarão caros ao mesmo tempo, especialmente quando adquiridos durante a sazonalidade.
A ideia de que alimentação saudável necessariamente custa caro é, portanto, uma generalização. Existem diversas estratégias que podem ajudar a tornar uma alimentação equilibrada mais acessível:
1. Adquira os alimentos em locais com menos intermediários
Sacolões, varejões, feiras, pequenos agricultores urbanos e lojas que comercializam alimentos diretamente de produtores podem oferecer boas opções de compra.
Aqui na Boomi, por exemplo, você pode fazer seu pedido online e receber em casa. Outra alternativa é procurar uma feira orgânica ou convencional próxima à sua região.
É importante lembrar que alimentos orgânicos nem sempre apresentam preços mais altos, pois isso depende do produto, da região e do canal de comercialização. Quando os alimentos orgânicos não cabem no orçamento, consumir frutas, verduras e legumes convencionais continua sendo uma excelente opção. Nesse caso, é importante higienizá-los adequadamente antes do consumo.
2. Leve comida de casa
Outra forma de manter uma alimentação equilibrada no dia a dia, mesmo comendo fora de casa, é levar a própria comida para o trabalho ou para outros compromissos.
Além de permitir maior controle sobre os ingredientes e as porções, preparar as refeições em casa pode reduzir os gastos com restaurantes, lanches e delivery.
3. Organize-se
Para manter uma alimentação saudável, a organização é fundamental, principalmente para quem passa o dia todo fora de casa.
Algumas preparações práticas para a semana podem ser feitas com antecedência, como carne moída, frango desfiado, carne de panela com batata e legumes, arroz, feijão, legumes assados ou refogados e sopas.
Não é necessário preparar tudo de uma vez. Organizar alguns ingredientes básicos e congelar porções pode facilitar bastante a rotina.
4. Opte pelos alimentos da estação
Alimentos da estação, ou sazonais, são aqueles cuja produção e colheita ocorrem em períodos em que as condições climáticas são mais favoráveis.
Quando há maior oferta de determinado alimento, seu preço pode ser mais acessível. Além disso, escolher alimentos da estação é uma ótima estratégia para variar a alimentação e experimentar novos sabores e preparações.
Consulte o calendário de sazonalidade da Central de Abastecimento (Ceasa) ou de outras instituições da sua região para descobrir quais alimentos estão na época.
5. Conheça os alimentos e seus usos culinários
Para fazer substituições adequadas e economizar, conhecer os diferentes grupos de alimentos e suas possibilidades culinárias pode ser muito útil.
Assim, quando determinado alimento estiver mais caro, é possível escolher outra opção semelhante ou aproveitar o que já está disponível em casa.
Alguns exemplos de grupos de alimentos são:
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Frutas, verduras e legumes: fontes de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos.
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Cereais: arroz, aveia, milho, trigo, pão e macarrão, entre outros.
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Tubérculos e raízes: batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha, inhame e cará.
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Leguminosas: feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico, soja e outras.
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Oleaginosas e sementes: castanhas, amendoim, chia, linhaça, gergelim e sementes de abóbora, entre outras.
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Lácteos: leite, queijos, iogurte e coalhada.
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Proteínas de origem animal: ovos, carnes, aves e peixes.
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Proteínas de origem vegetal: leguminosas, soja, tofu e outros alimentos vegetais ricos em proteínas.
Uma refeição equilibrada não precisa seguir uma divisão rígida, mas uma referência prática é preencher boa parte do prato com verduras e legumes e complementar a refeição com fontes de carboidratos e proteínas. Feijão e outras leguminosas podem ser combinados com arroz e outros cereais, além de diferentes vegetais.
Também é importante incluir fontes de gorduras, como azeite, castanhas e sementes, de acordo com as necessidades e preferências individuais.
Para saber mais sobre alimentação adequada e saudável, vale consultar o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. E, claro, você também pode conferir o blog da Boomi, onde encontra diversos conteúdos sobre alimentação e bem-estar.
Se possível, procurar um bom nutricionista pode ser um ótimo investimento. Uma orientação individualizada pode ajudar a adaptar a alimentação às necessidades, preferências e orçamento de cada pessoa.
6. Aposte nas PANCs
PANC é a sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais.
São plantas, ou partes de plantas, que podem ser utilizadas na alimentação, mas que não fazem parte do consumo convencional de determinada região. Talos, flores, folhas, brotos, rizomas, sementes, raízes e tubérculos de algumas espécies podem ser aproveitados na cozinha.
As PANCs podem trazer novos sabores e possibilidades culinárias e, em alguns casos, podem ser cultivadas em hortas domésticas, comunitárias ou escolares.
No entanto, é fundamental identificar corretamente a espécie antes do consumo. Algumas plantas podem ser tóxicas ou exigir preparos específicos para que sejam consumidas com segurança. Não é recomendado colher plantas espontâneas em calçadas, terrenos ou locais sujeitos à contaminação.
Veja a lista com algumas PANCs e suas possibilidades de uso no post “PANCs: conheça as Plantas Alimentícias Não Convencionais”.
7. Cuidado com algumas “promoções”
Não é raro encontrar promoções que parecem muito vantajosas, mas nem sempre representam a opção mais econômica.
Para verificar se determinado alimento ou produto realmente está mais barato, vale comparar o preço por peso ou volume. Basta dividir o valor do produto pela quantidade e comparar com outras opções.
Essa estratégia é especialmente útil quando as embalagens têm tamanhos diferentes.
8. Alguns alimentos parecem caros, mas podem não ser
Alguns alimentos parecem mais caros quando observamos apenas o valor da embalagem, mas a comparação muda quando analisamos o preço por quilo.
Por exemplo, se 1 kg de amendoim a granel custa R$ 20, enquanto um salgadinho de 84 g custa R$ 6, o equivalente a 1 kg do salgadinho seria de aproximadamente R$ 71,43.
Além do preço, é importante comparar também o valor nutricional, a quantidade consumida e a finalidade de cada alimento.
9. Ao optar por uma alimentação mais caseira, você pode economizar no delivery
Se antes o jantar era pedir pizza por delivery duas vezes por semana, preparar uma refeição caseira em um desses dias já pode representar uma economia significativa.
O mesmo vale para outros alimentos preparados fora de casa. Fazer uma refeição simples com ingredientes básicos pode custar menos do que pedir comida pronta.
Além da economia, cozinhar em casa permite aproveitar melhor os alimentos, controlar os ingredientes e reaproveitar preparações.
10. Invista em hortas caseiras ou comunitárias
Se houver espaço, tempo e disponibilidade, vale investir em uma pequena horta em casa ou participar de uma horta comunitária.
Temperos naturais, como alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha e algumas pimentas, podem ser cultivados em vasos e utilizados no dia a dia. Além de contribuírem para o sabor das preparações, podem ser uma opção prática para quem deseja começar a cultivar os próprios alimentos.
Alguns materiais que podem ajudar:
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Horta em pequenos espaços – Embrapa
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Cartilha para plantio de pequenos jardins urbanos – Morada da Floresta
Conclusão
Infelizmente, muitas pessoas ainda não têm acesso regular a uma alimentação adequada e saudável. Nesse contexto, mesmo alimentos básicos e de menor preço podem representar uma parcela significativa do orçamento familiar. Por isso, políticas públicas e ações sociais que ampliem o acesso a alimentos de qualidade são tão importantes.
Este post não pretende dizer que alimentação saudável é sempre barata ou que todas as pessoas têm as mesmas condições para se alimentar bem. A proposta é desmistificar a ideia de que, para ter uma alimentação equilibrada, é necessário comprar produtos caros, importados ou considerados “superalimentos”.
Uma alimentação saudável pode ser construída com alimentos simples, preparações caseiras, produtos da estação e escolhas adequadas à realidade de cada pessoa.
Mais do que gastar muito, alimentar-se bem envolve variedade, equilíbrio, planejamento e aproveitamento dos alimentos.
Referências
Ministério da Saúde. Desmistificando Dúvidas sobre Alimentação e Nutrição: Material de Apoio para Profissionais de Saúde. Universidade Federal de Minas Gerais. Brasília – DF, 2016.
Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed. Brasília – DF, 2014.