9 alimentos que podem ajudar na recuperação do AVC

Está buscando alimentos que possam contribuir para a recuperação após um AVC? Confira opções que ajudam a fornecer os nutrientes necessários à reabilitação e conheça os alimentos que vale a pena limitar.
O acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, acontece quando uma área do cérebro deixa de receber sangue adequadamente ou quando ocorre sangramento dentro do cérebro. Os dois principais tipos são o AVC isquêmico, causado pela obstrução de um vaso, e o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo. (gov.br)
O AVC pode provocar alterações motoras, de fala, visão, memória, equilíbrio, alimentação e outras funções. A recuperação varia de uma pessoa para outra e depende do local e da extensão da lesão, do tratamento recebido e da reabilitação.
A alimentação é parte importante desse processo, mas nenhum alimento é capaz de “reverter” a lesão cerebral causada pelo AVC. Seu papel é fornecer energia, proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes necessários ao organismo, além de ajudar no controle de fatores de risco para novos eventos. (ahajournals.org)
9 alimentos e grupos de alimentos que podem contribuir para a recuperação
A melhor estratégia não é buscar um nutriente isolado, mas construir uma alimentação variada e adequada às necessidades de cada pessoa.
1. Peixes ricos em ômega-3
Sardinha, salmão, cavalinha, arenque e outros peixes são fontes de proteínas e, dependendo da espécie, de EPA e DHA, ácidos graxos da família ômega-3.
Esses alimentos podem fazer parte de um padrão alimentar favorável à saúde cardiovascular. Entretanto, não há evidências suficientes para afirmar que o ômega-3 presente nos alimentos reduza a gravidade das sequelas de um AVC já ocorrido.
O benefício mais importante está em integrar o peixe a uma alimentação adequada para a saúde cardiovascular e a prevenção secundária. (ahajournals.org)
2. Ovos, peixes, carnes magras e aves
Durante a recuperação, é importante evitar desnutrição e perda excessiva de massa muscular. Ovos, peixes, frango e carnes magras são fontes de proteínas de alta qualidade e podem ajudar a atingir as necessidades proteicas.
A quantidade adequada varia de acordo com idade, peso, nível de atividade, estado nutricional, função renal e outras condições clínicas. Por isso, não existe uma quantidade universal que sirva para todas as pessoas após um AVC.
3. Feijão, lentilha, grão-de-bico e soja
As leguminosas fornecem proteínas vegetais, fibras, folato, minerais e carboidratos.
Elas também são compatíveis com padrões alimentares cardioprotetores, especialmente quando substituem parte de carnes processadas e outros alimentos ricos em gordura saturada e sódio.
4. Frutas, legumes e verduras
Frutas, legumes e verduras são fontes de fibras, vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos.
A recomendação de uma alimentação rica nesses alimentos é especialmente importante para a saúde cardiovascular. Variar cores e tipos também aumenta a diversidade de nutrientes da dieta.
Algumas opções incluem frutas cítricas, frutas vermelhas, mamão, tomate, cenoura, brócolis, couve, espinafre, pimentão e outras hortaliças.
5. Cereais integrais
Aveia, arroz integral, cevada e outros cereais integrais fornecem fibras e carboidratos, que são fontes importantes de energia.
A aveia merece destaque por sua beta-glucana, uma fibra solúvel que pode contribuir para a redução do colesterol LDL.
Substituir parte dos cereais refinados por versões integrais pode contribuir para um padrão alimentar mais favorável à saúde cardiovascular.
6. Castanhas e sementes
Castanhas, nozes, amêndoas, chia, linhaça e sementes de abóbora fornecem gorduras insaturadas, fibras, proteínas e minerais.
Pequenas porções podem ser incluídas em frutas, iogurtes, saladas e outras preparações.
O benefício está no conjunto desses nutrientes e na substituição de opções menos nutritivas, e não em um efeito específico de uma determinada castanha sobre as sequelas do AVC.
7. Azeite de oliva
O azeite é fonte de gordura predominantemente monoinsaturada e faz parte do padrão alimentar mediterrâneo.
Pode ser utilizado para temperar saladas e preparar alimentos, substituindo parte das fontes de gordura saturada.
Uma dieta mediterrânea ou semelhante, com baixo consumo de sódio e maior presença de vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, peixes, castanhas e óleos vegetais não tropicais, é recomendada para reduzir fatores de risco cardiovasculares após um AVC. (ahajournals.org)
8. Alimentos ricos em folato
Feijão, lentilha, grão-de-bico, folhas verde-escuras, aspargos, abacate e outros vegetais fornecem folato.
Esse nutriente participa da síntese de DNA e da divisão celular. Ter uma ingestão adequada faz parte de uma alimentação equilibrada, mas não significa que aumentar o folato na dieta reduza diretamente as sequelas do AVC.
9. Alimentos fonte de vitamina B12
Carnes, peixes, ovos, leite e derivados são fontes de vitamina B12. Pessoas que seguem dietas vegetarianas ou veganas precisam de atenção especial à vitamina B12, que deve ser obtida por alimentos fortificados e/ou suplementação quando indicada.
A vitamina B12 é importante para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso, mas não deve ser apresentada como um tratamento específico das sequelas do AVC.
E a alimentação durante a reabilitação?
Depois de um AVC, alguns pacientes apresentam disfagia, ou dificuldade para engolir. Esse problema é comum e pode aumentar o risco de aspiração, pneumonia, desidratação e desnutrição. (stroke.org)
Por isso, a consistência dos alimentos e dos líquidos pode precisar ser modificada de acordo com a avaliação da equipe de saúde.
Sinais como tosse ou engasgo durante as refeições, voz “molhada” depois de engolir, dificuldade para mastigar ou perda de peso devem ser comunicados aos profissionais responsáveis. (stroke.org)
O nutricionista e o fonoaudiólogo têm papel importante na adaptação da alimentação e na prevenção de complicações.
Quais alimentos devem ser evitados ou limitados?
Não existe uma lista de alimentos que precise ser proibida para todas as pessoas após um AVC. O objetivo principal é reduzir fatores de risco cardiovasculares e melhorar a qualidade da alimentação.
Alimentos ricos em sódio
Salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo, temperos prontos, caldos concentrados, enlatados muito salgados e outros produtos com alto teor de sódio devem ter consumo limitado.
O excesso de sódio pode contribuir para o aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para o AVC. (stroke.org)
Em vez de depender de muito sal, utilize alho, cebola, ervas, especiarias, limão e outros temperos para realçar o sabor.
Carnes processadas
Salsicha, linguiça, salame, mortadela, presunto e outros embutidos devem ser consumidos com pouca frequência.
Além de frequentemente apresentarem bastante sódio, podem conter quantidades elevadas de gordura saturada e fazem parte de padrões alimentares menos favoráveis à saúde cardiovascular.
Alimentos ultraprocessados
Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, doces, fast-food e outros ultraprocessados devem ter consumo limitado.
Dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados facilita a redução do excesso de sódio, açúcares adicionados e gorduras saturadas.
Bebidas açucaradas e excesso de açúcar
Refrigerantes e outras bebidas açucaradas devem ser reduzidos, assim como o excesso de doces e sobremesas.
Uma alimentação com menor quantidade de açúcares adicionados contribui para o controle do peso e da saúde metabólica.
Álcool
Depois de um AVC, o consumo de álcool merece avaliação individualizada, especialmente por causa das interações com medicamentos e do tipo de AVC.
O Ministério da Saúde recomenda não consumir álcool como estratégia de prevenção do AVC e destaca a importância de manter a pressão arterial, a glicemia e o peso sob controle. (gov.br)
Por isso, converse com a equipe responsável antes de voltar a consumir bebidas alcoólicas
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E o sal light?
Substitutos de sal à base de cloreto de potássio podem reduzir a quantidade de sódio da alimentação, mas não são adequados para todas as pessoas.
Quem tem doença renal ou utiliza determinados medicamentos que aumentam o potássio no sangue pode apresentar risco de hipercalemia.
Por isso, não é recomendável indicar sal light ou substitutos de sal de forma indiscriminada após um AVC. A escolha deve ser feita com orientação profissional.
Não existe uma dieta que “recupere o cérebro”
Pesquisas experimentais investigam nutrientes como DHA, uridina, colina, folato e vitaminas do complexo B em relação à estrutura e ao metabolismo cerebral. Entretanto, esses estudos não são suficientes para recomendar uma lista específica de alimentos ricos nesses nutrientes como tratamento das sequelas do AVC.
O cuidado nutricional depois do AVC deve priorizar o que já possui melhor respaldo: evitar desnutrição, garantir energia e proteínas suficientes, adaptar a consistência quando existe disfagia e reduzir fatores de risco cardiovasculares. (ahajournals.org)
Recuperação do AVC é multidisciplinar
A reabilitação após o AVC envolve diferentes profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa, incluindo médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas.
A alimentação é uma parte importante desse cuidado, mas não substitui medicamentos, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia ou outras intervenções necessárias.
As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam que a reabilitação seja precoce e conduzida de forma integral e multiprofissional. (gov.br)
Conclusão
Não existe um alimento capaz de recuperar sozinho as funções perdidas depois de um AVC.
Uma alimentação adequada pode, porém, ajudar a evitar desnutrição, fornecer energia e proteínas para o processo de recuperação e contribuir para o controle de fatores de risco, especialmente pressão arterial, colesterol, diabetes e excesso de peso.
Peixes, ovos, carnes magras, leguminosas, frutas, verduras, cereais integrais, castanhas, sementes e azeite podem fazer parte de uma alimentação cardioprotetora.
Por outro lado, vale limitar alimentos ricos em sódio, carnes processadas, ultraprocessados, excesso de açúcar e álcool, de acordo com a orientação da equipe de saúde. (ahajournals.org)
Depois de um AVC, a alimentação precisa ser adaptada às necessidades individuais. Na presença de dificuldade para engolir, perda de peso ou outras alterações, o acompanhamento com nutricionista e fonoaudiólogo é especialmente importante.
Isabella Coelho – Comunicação da Boomi