5 chás que ajudam a desinchar

Conheça 5 opções de chás que podem contribuir para a hidratação e, em alguns casos, apresentar efeito diurético.
Você provavelmente já ouviu falar que determinados chás ajudam a “desinchar”. Mas será que eles realmente funcionam?
Algumas plantas utilizadas na preparação de chás apresentam potencial diurético, ou seja, podem aumentar a produção de urina. Esse efeito pode contribuir para a eliminação de água do organismo, mas não significa perda de gordura corporal.
Além disso, a evidência científica varia bastante de acordo com a planta. Por isso, os chás devem ser encarados como parte de uma alimentação equilibrada, e não como uma estratégia isolada para emagrecer.
Vale lembrar: nenhum chá é capaz de queimar gordura ou promover emagrecimento significativo sozinho.
Retenção de líquidos x gordura corporal
Já reparou que, depois de uma refeição mais salgada, o peso na balança pode aumentar rapidamente?
Isso pode acontecer porque o sódio influencia o equilíbrio de líquidos do organismo. Uma variação rápida de peso, especialmente após uma refeição isolada, geralmente não representa um ganho equivalente de gordura corporal.
Da mesma forma, quando o organismo elimina o excesso de água, o peso pode diminuir rapidamente. Isso também não significa que houve perda de gordura.
Por isso, é importante diferenciar peso corporal, retenção de líquidos e gordura corporal.
A hidratação adequada ajuda o organismo a manter seu equilíbrio de líquidos, mas beber mais água ou chá não faz o corpo simplesmente “diluir o sódio” e eliminar gordura.
Os chás podem contribuir para a ingestão de líquidos e, dependendo da planta, apresentar algum efeito diurético. Porém, esse efeito costuma ser limitado e não deve ser confundido com emagrecimento.
5 chás que podem ajudar a diminuir o inchaço
Além de contribuírem para a ingestão de líquidos, algumas plantas utilizadas em infusões contêm compostos bioativos, como polifenóis.
No entanto, é importante evitar a ideia de que todos os chás são automaticamente antioxidantes, anti-inflamatórios ou capazes de prevenir doenças. Os compostos presentes e seus efeitos variam bastante de uma planta para outra.
Confira cinco opções frequentemente utilizadas por suas propriedades diuréticas ou tradicionalmente associadas à eliminação de líquidos.
1. Alecrim
O alecrim (Rosmarinus officinalis, atualmente também classificado como Salvia rosmarinus) é uma planta aromática bastante utilizada na culinária e na preparação de infusões.
O alecrim contém compostos fenólicos, como ácido rosmarínico e ácido carnósico, que apresentam atividade antioxidante em estudos experimentais.
Embora seja tradicionalmente utilizado por suas propriedades digestivas e outras aplicações, não há evidências clínicas robustas que permitam afirmar que o chá de alecrim seja um tratamento para retenção de líquidos ou que promova emagrecimento.
Assim, ele pode ser consumido como uma opção de bebida sem açúcar, mas não deve ser considerado um “chá para queimar gordura”.
2. Hibisco
Entre os chás associados à saúde cardiovascular, o hibisco é um dos mais estudados.
O chá é preparado principalmente com o cálice de Hibiscus sabdariffa e apresenta sabor levemente ácido e coloração avermelhada.
A planta contém compostos fenólicos, antocianinas e outros componentes bioativos. Estudos clínicos sugerem que o consumo de hibisco pode contribuir para uma pequena redução da pressão arterial em algumas pessoas, embora os resultados não sejam suficientes para considerá-lo substituto de medicamentos ou tratamento para hipertensão.
Por isso, o hibisco pode fazer parte da alimentação, mas pessoas que utilizam medicamentos para pressão arterial ou apresentam pressão baixa devem conversar com um profissional de saúde antes de consumir grandes quantidades ou utilizar preparações concentradas.
Também não há evidência suficiente para afirmar que o chá de hibisco provoque perda significativa de gordura corporal.
3. Carqueja
A carqueja, especialmente a espécie Baccharis trimera, é tradicionalmente utilizada na forma de chá e em preparações da medicina popular.
Entre seus usos tradicionais estão o auxílio à digestão e o alívio de alguns desconfortos gastrointestinais.
Apesar de estudos experimentais investigarem diferentes propriedades da planta, não há evidência clínica suficiente para afirmar que o chá de carqueja seja capaz de tratar retenção de líquidos ou promover emagrecimento.
Assim, caso seja consumida, deve ser encarada como uma bebida ou preparação tradicional, e não como um tratamento.
Pessoas que utilizam medicamentos regularmente, estão grávidas ou amamentando ou apresentam alguma condição de saúde devem conversar com um profissional de saúde antes de utilizar plantas medicinais com finalidade terapêutica.
4. Cavalinha
A cavalinha (Equisetum arvense) é uma das plantas mais tradicionalmente utilizadas por seu possível efeito diurético.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconhece preparações de cavalinha para aumentar a produção de urina e auxiliar na “lavagem” do trato urinário em queixas urinárias leves, mas ressalta que essa indicação é baseada principalmente no uso tradicional e que as evidências clínicas são limitadas.
Portanto, a cavalinha pode aumentar a produção de urina, mas isso não significa que seja capaz de eliminar gordura ou tratar a causa de um edema.
Também é importante ter cautela com seu uso. Pessoas com condições em que a ingestão de líquidos precisa ser restringida, como algumas doenças cardíacas ou renais, não devem utilizar preparações diuréticas sem orientação profissional.
5. Dente-de-leão
O dente-de-leão (Taraxacum officinale) também é tradicionalmente utilizado como planta com potencial efeito diurético.
Apesar de existirem estudos experimentais e alguns dados preliminares sobre sua ação, as evidências clínicas ainda são insuficientes para afirmar que o dente-de-leão seja um tratamento eficaz para retenção de líquidos ou emagrecimento.
Também é importante evitar a ideia de que seu possível efeito diurético ocorre simplesmente porque a planta contém muito potássio. A relação entre o teor de nutrientes da planta e seu efeito farmacológico é mais complexa.
Pessoas com doença renal, alterações nos níveis de potássio, doenças cardíacas ou que utilizam medicamentos que afetam o equilíbrio de líquidos e eletrólitos devem conversar com um profissional de saúde antes de utilizar o dente-de-leão com finalidade terapêutica.
Afinal, chá ajuda a desinchar?
Algumas plantas utilizadas em chás podem apresentar efeito diurético, mas isso não significa que sejam capazes de eliminar gordura ou provocar emagrecimento.
Quando existe retenção de líquidos, a causa também precisa ser considerada. Excesso de sódio na alimentação pode contribuir para alterações no equilíbrio de líquidos, mas inchaço persistente pode estar relacionado a medicamentos ou a condições de saúde que precisam ser avaliadas.
Por isso, não é recomendado tentar tratar um edema recorrente simplesmente aumentando o consumo de chás diuréticos.
Além disso, o excesso de substâncias diuréticas pode aumentar a perda de água e, dependendo da preparação e da quantidade consumida, interferir no equilíbrio de eletrólitos.
Como consumir?
Os chás podem ser uma maneira agradável de aumentar a ingestão de líquidos, especialmente quando consumidos sem excesso de açúcar.
Não existe uma quantidade universal de chá que seja adequada para todas as pessoas. A recomendação depende da planta utilizada, da concentração da preparação, da frequência de consumo e das características individuais.
Também não é necessário tomar chá para se manter hidratado: a água continua sendo uma excelente fonte de hidratação.
Uma alimentação equilibrada, baseada em frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas e outros alimentos minimamente processados, além da prática regular de atividade física, é muito mais importante para a saúde e para o controle do peso corporal do que qualquer chá isoladamente.
Conclusão
Alguns chás podem contribuir para a hidratação e, dependendo da planta, apresentar algum efeito diurético. Entre eles estão preparações de cavalinha, hibisco e dente-de-leão, embora o nível de evidência varie bastante.
O mais importante é entender que eliminar água não significa eliminar gordura.
Se o objetivo é emagrecer, o caminho envolve mudanças sustentáveis na alimentação, atividade física, sono adequado e outros fatores relacionados ao estilo de vida.
E se o inchaço for frequente, intenso, persistente ou acompanhado de outros sintomas, procure avaliação profissional em vez de tentar tratá-lo apenas com chás.
Em caso de dúvidas sobre o uso de plantas medicinais, especialmente durante a gravidez, amamentação, na presença de doenças ou durante o uso de medicamentos, procure orientação de um profissional de saúde.